segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

zola, redes e boas festas


Posso parecer pernóstica mas não é essa minha intenção. Quem me acompanha no facebook sabe que há dias venho pensando em vários autores, o motivo é a época de festas de fim de ano, hehehe. Acontece que no período de Natal tenho uma folguinha e aí dá tempo de ler e ouvir música, ver vídeos de músicas, e isso que adoro que é lembrar de autores que já li, de livros que saboreei. Também gosto de procurar ilustrações e obras de arte. Nossa, que chata de galocha,hahaha! Não, na verdade, sou muito intimista, muito voltada pra mim, silenciosa, e , sim, detesto as multidões e as compras de fim de ano. Por algum motivo, as pessoas acham que tem que consumir tudo de uma só vez...enfim, há tempos cansei dessa questão. Prefiro lembrar dos livros, lê-los e relê-los!
Bom, hoje acordei pensando em Émile Zola, do nada, bem, talvez não tão do nada, como também construo uma página no facebook voltado para as gordinhas, e ela envolve um lado meu de dyva, lembrei de Nana que foi o livro de Zola que li, diferente das outras pessoas, que começam pelo Germinal, mas ser como os outros foi algo que também desisti há muito tempo. Vejam, quem troca compras em shopping por livros de gente que já morreu, hoje em dia??
Nana é uma estória sobre uma diva , uma atriz medíocre mas muito bela que se torna uma cortesã, Zola retrata muito bem o espírito da época, as intrigas, o espírito volúvel de Nana, capaz de ternuras fugazes, aborrecimento, fúria, tudo junto e misturado, os clientes,os homens, as rivais. (Ai como gosto de estórias sobre mulheres, acho que gostei de todos os grandes clássicos sobre mulheres que li.)
O que acordei pensando é que não mudou tanto assim desde o império napoleônico pra cá, as fogueiras das vaidades continuam as mesmas, o clima que Zola descrevera também.
Sabe o que mais, quem tá certo é Xico Sá: que nosso ano seja menos de rede social e mais de rede na varanda, com um bom livro pra acompanhar.

Essa pintura é de Konstantin Razamov

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

oscar wilde, resiliência e outros pensamentos

sabe gente, 2014 já está indo embora, e foi um ano muito difícil pra mim, se isso ainda era possível, rs. outro dia, escrevi na página do fb que estava com frases do oscar wilde na cabeça e estou mesmo, sabem que sou meio maluquinha, lembro muito que ele disse que poucas pessoas vivem, a grande maioria apenas existe, ou um trecho que li há muitos anos, melhor, em 1992, e gravei porque me surpreendeu, ele dizia mais ou menos assim ( me recuso a pesquisar e confirmar) 'o homem destrói aquilo que mais ama, em campo aberto ou em emboscada, uns com a leveza do carinho, outros com a dureza da palavra, os covardes destroem com um beijo e os valentes com uma espada.'
sempre achei q fazia sentido, fazia sentido em 92 e faz hoje em 2014, ama-se e fulmina-se o que se ama, porque não se pode amar. triste assim. fatal assim.
pior é que mesmo em 92 eu já compreendia como oscar wilde era injustiçado, como ele foi inteligente e astuto, e como até hoje é apenas rotulado, triste e fatal humanidade que não compreende a genialidade e nem o amor, nem antes, nem em 92, nem em 2014.
mas não fiquem tristes, eu não estou! estou feliz! há algo de mágico na vida que me faz acreditar que não sou maluquinha não, sou lúcida!!
sabe outra coisa que oscar wilde disse? que santos tinham um passado, pecadores possuíam um futuro! não é uma frase genial pra começar 2015?!!

a ilustração se chama death of maiden de krista huol

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

beijinhos de carros

não há nada melhor pra exorcizar meus fantamas do que escrever!! 
bom, não somente escrever, outras atividades, todas envolvendo um certo grau de arte servem pra tirar o que não é bom de mim, o q não está servindo, o que está sobrando!!! mas às vezes penso que sou fraca, que força alguma me habita, daí me surpreendo com uma teimosia extrema, quantas noites mesmo já perdi tentando programar a linguagem de matrix que se esconde atrás desse texto meu?? ou tantas teimosias e bravuras surpreendentes!! 
na mais recente fui rumo ao doce desconhecido e minha coragem mais uma vez me provou que tem um quê de sublime e de mágica, como podem ser sublimes e mágicos o amor. se a recompensa de uma vida inteira de acertos e erros for um amor tão simples, disposto e recíproco podemos dizer que, enfim, ele resolveu me encontrar, ou eu a ele, ou nos encontramos um ao outro, de um jeito inesperado e de repente, sabe lá como a tal hazel disse, afinal, somos multimídia e aqui até o que não lemos, sabemos, até o que não conseguimos, programamos, até o que não obtemos, vislumbramos, e impossíveis encontros vem a acontecer, basta olhar à sua volta, haverá um malvado monstro que poderá ser seu amor favorito para sempre!!

música de alabama shake,basta clicar no play, gravura love monster, não sei realmente o nome do autor para dar os créditos, se alguém souber deixe nos comenários que adiciono. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

agradecimento de mulher

Hoje eu queria só agradecer...
agradecer por não ser queimada viva, nem espancada até a morte, por não ter sido sequestrada enquanto estava numa sala de aula pra ser vendida no tráfico humano,agradecer por não ter sido assassinada porque sou mulher e queria estudar, ou por ser mulher e cristã,
agradecer porque o máximo que passei foram cantadas, fiu fius e palavrões travestidos de cantadas e encoxadas em transportes coletivos,

agradecer porque mando minimamente no meu corpo, no que penso e no que falo e escrevo,

poderia ser pior...
neste momento, em que decido uma série de coisas estúpidas tem milhares de mulheres com medo e aprisionadas em suas próprias casas, violentadas física e moralmente por quem deviam
ser seus companheiros, e sem esquecer  das milhares que sofrem permanente abuso sexual, crianças e adolescentes, verdadeiro terror e pesadelo.
Há quem diga que as mulheres já tem muitos direitos, se tem pode ser que esteja na hora de começar a respeitá-los!!
Ilustração de Elisa Sassi.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

abril inominado

Já estamos em maio, no entardecer do dia 05 e somente agora deu pra escrever aqui, mas não por falta de tempo, talvez por falta de chão. Meu esforço estava concentrado em me concentrar, em aterrizar, o que já consegui fazer...das minhas qualidades, uma é ter os dois pés no chão, mesmo que voe muito alto...
Abril foi um mês completamente atípico, do jeito que começou e do jeito que terminou, mas eu ainda não tenho nome pra ele, daí ser o inominado...
Todavia, minha relutância em escrever nesse mês se deu também pelo desejo de guardá-lo apenas pra mim, como uma joia preciosa, um tesouro,um sonho bom. Descobri coisas maravilhosas sobre mim e sobre o amor, coisas que se leva uma vida para perceber, acho que envelheci cem anos, assim como também acho que rejuvenesci 200 anos, é isso mesmo, ao mesmo tempo é forte e delicado, é fogo e gelo. É o oposto de tudo, é sentir e querer mas sem querer possuir, não sabia que podia sentir algo tão imenso e tão intenso. Não estou descrevendo um orgasmo, rs, uma sensação física, mas algo espiritual, sentimental, psicológico, filosófico, adjetivem como quiserem porque pra mim ainda é inominável. 
Espero, sinceramente que não me julguem piegas porque não é um amor romântico, se fosse, teria um nome,não? E o amor romântico como o vemos nos filmes não é o meu.
Só sei sentindo, sei que me vi fazendo parte do casal mais lindo do mundo, mais brilhante, iluminado e potente. Uma potência, um poder tão imenso que levei dias pra absorver, pra racionalizar, o que é pouco provável que eu consiga fazer completamente. Cinestesicamente, esse amor se instalou na minha pele, cabelos,órgãos internos, nos meus olhos e dedos, e todo o meu ser transcendeu de forma belíssima, pura e alegre.
Desejo que sintam um amor tão puro, tão real e tão verdadeiro ao menos uma vez na vida e que transmutem.
Se vocês ouvirem um dia que eu morri, e sentirem vontade de chorar ou se sentirem tristes, podem sentir sim, e pensem: Foi-se uma pessoa que amava a vida!! Eu só consigo pensar que ela é breve, que não dá tempo pra nada e que é preciosa, de um valor incalculável e que não dá pra se exigir menos do que o amor, ele move montanhas!

A ilustração é de Sylvia Ji, uma artista tex-mex, rsrs, se chama Sugar Skull, mas eu queria chamá-la aqui no meu post, no meu país, de Sugar Brown.

terça-feira, 1 de abril de 2014

navio perdido/seguro porto


"Aquele livro: de um país chamado Líbia
Lindo
Livro
Li de uma assentada,
Tinha cheiro, Cor,
Poesia delicada,
Doce, 
Raivosa; 
E uma tristezazinha
Que parece te acompanhar...
Não falo assim de uma forma ruim,
Não prego alegria de comercial,
De botequim
É tristeza boa, 
De medo e respeito, 
De quem conhece a vida e,
Por isso sabe:
Ela às vezes lateja, 
Dói."

Quem escreveu esse texto pra mim foi a escritora Cristiane Patrícia Barros Almada, que também é professora, Mestre e autora do livro de poesias "Amálgama" .

Esta obra se chama 'Lost Ship' do artista polonês Tomasz Setowsky.

terça-feira, 18 de março de 2014

Ao perder eu a ti

Ao perder eu a ti
Tu e eu temos perdido:
Eu porque tu eras o que eu mais amava
E tu porque eu era a que te amava mais.
Mas de nós dois, tu perdes mais do que eu:
Porque eu poderei amar a outros como te amava a ti,
mas a ti não te amarão como te amava eu.
Ernesto Cardenal

Essa poesia repeti muitas vezes, incansavelmente, vez ou outra, me pegava pensando: Ao perder eu a ti, ao perder eu a ti...tu e eu temos perdido, daí recomeçava- ao perder eu a ti, ao perder eu a ti...como um mantra, como uma oração. Recordei-me dela hoje como se lembra de um pesadelo que se repetia na infância, doloroso. 
Foi tão obsessivo que eu mudei os versos e os transformei em outro poema, esse meu, onde eu repetia incansavelmente os pronomes: ao perder eu a ti, ao perder eu a ti, tu e eu temos perdido. eu porque tu eras o que eu mais amava a ti, ao perder eu a ti, ao perder eu a ti,a mim mesmo tive perdido. E foi tão doloroso e foi tão brutal que me nascem lágrimas ao lembrar desse poema porque me traz novamente a sensação, o heartbroken e a falsa esperança, porque desde aqueles inocentes anos eu já sabia que 'eu' era quem mais perdia...porque tu era o que eu mais amava e porque eu era a que te amava mais, e que não poderia amar a outros como te amava a ti e que não te amariam como te amava eu...

Ilustração de Krista Huol- The death of a maiden (A morte de uma donzela)

quinta-feira, 6 de março de 2014

Intitulado Pescador

INTITULADO PESCADOR 

Pois dizem que eu minto
Pois dizem que eu finjo 
Que sou um enganador
Que sou um fingidor
Que eu sou um iludidor
Que eu sou um ilusionista
Que eu falo por falar
Que eu nunca vou amar…


Alefe Medeiros

Um poema do bem jovem poeta Alefe Medeiros,a ilustração é de Courtney Brims, estava com saudades dela...

quarta-feira, 5 de março de 2014

'Sacabô'

Do carnaval só restaram as cinzas. Sempre tive uma certa atração pela quarta-feira de cinzas. Parece um recomeço, um ano-novo, não querendo dizer que no Brasil o ano só começa depois do carnaval, mas quase dizendo... é que também começa a quaresma e também somos influenciados por isso de uma forma ou de outra.
Uns se propõem um retiro espiritual, um tempo para pensar em suas ações, pecados- existem pecados?
De qualquer forma, o tempo já me pareceu mais arrastados em outros carnavais, mesmo em carnavais de maior folia pra mim. Agora não, parece tudo urgente, parece que não há tempo pra nada, que não me resta um minuto sequer pro tanto que quero pensar e compreender. E sentir, e entender, e descobrir e redescobrir, e discutir e debater.
Desculpe, mas não tenho quarenta dias. Não tenho nenhum segundo a perder. Minhas reflexões me consomem...também 'sacabô' carnaval, 'sacabô' folia , que não podemos mais nos dar tanto luxo, dias e dias de alegria voraz...tsc, tsc, só ano que vem...pra tudo se acabar na quarta-feira.
A ilustração é de Connie Lim, que estudou no instituto de artes de Pasadena e desenhou um baralho inteiro de figuras maravilhosas. Essa é a rainha de espadas. 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

conselho eterno de um poema

Para ser grande, sê inteiro :
Nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.
(Ricardo Reis 14/02/1933)

Esse poema, eu o li muito cedo em minha vida e a princípio não o entendi, não entendia nada. Não entendia como alguém podia se chamar Fernando Pessoa e usar um outro nome - Ricardo Reis, e tudo era um mistério... na verdade porque a própria vida era um mistério ainda pra mim. Não entendia como ela funcionava. Entretanto, intuía, de certa forma, o que ele queria dizer, vendo com meus olhos de criança... qualidade boa essa que tenho, a esperteza de compreender as coisas, talvez já soubesse o que vinha pela frente...
Ao longo do tempo, vez ou outra me lembro desse poeminha/ poemão, conselhinho/ conselhão, e fico feliz de um dia ter colocado meus curiosos olhos sobre ele, pois , como me ajudou... nas minhas noites mais escuras, quando eu achava que não havia saída, a imagem daquela lua inteira, brilhando sobre um lago sereno, preenchendo tudo com sua luz, me confortava.
Agradeço!!

A imagem onírica é do ilustrador americano Rory Kurtz, que diz ser
ilustrador desde o dia em que era crescido o bastante para segurar um giz de cera.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

mulheres possíveis

Tenho percebido que, de uns tempos pra cá, as mocinhas dos filmes não são mais as mesmas. Eu também não sou mais a mesma, e venho me identificando e sofrido e chorado e torcido pelas mais malucas possíveis. Vejam bem, assisti só agora o  O Lado Bom da Vida -acho q o título em inglês é Silver Linings Playbook, algo assim. Custei a assistir porque sabia intimamente que ia sentir o mesmo que falei no post Blue Jasmine, a mesma inquietação. Foi pior... Pior porque o filme é apaixonante, uma comédia romântica daquelas que a gente chora e chora e só quer abraços e chocolates e faz beicinhos de choro. Todos os atores são bons, mas, retiro o que pensei de mal da Jennifer Lawrence: ela está muuuiiito boa, muito boa mesmo. Ganhou o Oscar com louvor, dá até pra gente saber a cena em que ela segura o troféu e pode chamar de seu. É uma das mais marcantes: Ela fala que a gente tem vários lados... lado bom, lado ruim e mesmo um lado sujo, e que ela gostava de todas as partes dela e as respeitava a ponto de conviver bem consigo mesma, será que ele poderia dizer o mesmo ??? E eu, posso dizer o mesmo?? Não é lindo, gente? Mas o mais comovente e mais importante pra mim e pra esse post que estou escrevendo é que todas as personagens são possíveis, são reais até, sofrem de transtorno bipolar no caso desse filme, mas há uma tendência de apresentar personagens com problemas psiquiátricos normais, sutis, desses que eu tenho ou que você tem, depressão, ansiedade, angústia, raiva, problemas sexuais e de relacionamento e que são ignorados como algo do qual não devemos falar. Me lembrei de dois outros filmes que assisti recentemente e que tinham personagens femininas quase desequilibradas psicologicamente e com as quais me identifiquei pela forma como eram plausíveis - Jovens Adultos- Young Adults, fala de uma escritora de best-sellers teens, no meio de uma crise pessoal e psicológica  , e um outro mais leve, Quatro amigas e um casamento-Bachelorette, de comédia, mas com a tensãozinha latente nas entrelinhas, dá para se identificar com as quatro personagens de uma forma ou de outra, são várias faces dessa mulher da qual tenho falado aqui.
Deve ser bom que alguém pense em fugir dos eternos clichês,paixões,musas, casamentos e filhos perfeitos, e retratem mulheres possíveis, cheias de problemas,medos e com gavetas cheias de remédio tarja preta pra tomar, aí a gente se vê e pensa: sou dessas!!
Detalhe feminino de um grafite de Nina Pandolfo.
O vídeo é de uma música que se chama Concept da banda chamada Teenage Fanclub. é só apertar o play.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

marias e clarices

Por que eu não falo de Clarice Lispector? Por que eu não cito Clarice Lispector? Sendo direta, como sempre, pois aqui tempo é mais que ouro, 1 minuto são 5 minutos, igual nos sonhos... não a cito porque a respeito. O que li dela, foram poucos livros, uns de contos, tenho alguns favoritos que li inúmeras vezes e alguns romances, até mais densos. Sempre que releio vejo coisas novas que não tinha visto antes e me surpreendo, então ela pra mim é uma esfinge, indecifrável. Decifrar Clarice seria decifrar a alma feminina e desnudar consigo todas as outras grandes autoras junto, como Virgina Woolf, por exemplo. 
Logo, compreendam o quanto é revoltante ver suas palavras citadas em vão no facebook ou no twitter, às vezes acompanhada por um gif fofinho, não que eu seja contra, acho que nas redes tem é que se espalhar o pensamento mesmo, seja de quem for, seja de que jeito for,pra ver se alcança quem dele precisa.
Mas eu não, ainda prefiro o prazer daquela menina recifense, que cheirava os livros tão preciosos e os lia com cuidado,joias preciosas.
Diminutamente, humildemente, tento fazer o que ela fez, escrever e escrever, pra ver se entendo alguma coisa dessa coisa inusitada que chamamos vida.

Blue Jasmine

Outro dia fui assistir 'Blue Jasmine', do Woody Allen, e já fui com dor no coração. Primeiro que eu já sabia intuía que era um daqueles dramas disfarçados de comédia. Bom, o povo diz que é comédia, mas eu,  se rio, é um sorrisinho nervoso, sem graça, ansioso. E dessa vez, me consumiu!! Eu me identifiquei de uma forma peculiar com as personagens - Jasmine e com sua irmã Ginger, sim, com as duas, pois pra mim, são duas faces de uma mesma moeda. Nunca vi algo tão claro, ao mesmo tempo tão diferentes e tão iguais entre si . Os métodos, a ética, a visão de mundo, o contexto social é só geografia. Acho que tem uma desesperança no filme que assusta, tudo é cru, tudo está às claras, como num conto de Clarice Lispector, deve ser daí a identificação - era absurdamente feminina a loucura, as adequações aos conceitos sociais e a quebra de tudo sem dó, ela falando sozinha, falando, falando... é de partir o coração e é engraçado, absurdamente engraçado também. E a Cate Blanchett? Oh my God!! Magnífica!!
Depois, saí e esqueci , mas dias depois , eis que assisto outro filme dele: 'Simplesmente Alice', de 30 anos atrás e eis que Jasmine parte meu coração outra vez e me faz enxergar o que eu não queria, que a sensaçãozinha clariciana sempre volta : para Jasmine não há esperança !! para Jasmine só há a mais pura derrota, o desespero e a tragédia como no 'Sonho de Cassandra', e pior, porque Jasmine não quer a tragédia, ela quer seu velho mundo, seu velho sonho, sua falsa vida perfeita, ela resiste . Alice procurava escapar de sua vida perfeita e mesmo assim ainda tinha a proteção da mágica, da esperança, da hipnose, de chás alucinógenos e outras coisitas que lhe consolavam em sua confusão. Jasmine, não. Jasmine é blue .

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

palavras ao vento

Frases que já ouvi sobre o blog, dentre outras : escrever pra quê? escrever pra quem? por que você escreve essas coisas se ninguém as lê? tu acha que alguém lê?tu escreve umas coisas tão bonitas mas eu não entendo nada do que tu diz !
Acredito que não sei bem a resposta, ou melhor, sei, ela está aqui , mas não quer ser dada, reticente.
Muitas vezes estive a um clique de deletar tudo, fechar minha conta, e não fiz, deixei crescer um jardim selvagem - como muitas vezes deixo crescer dentro de mim !!
Não sei se alguém lê, na verdade, acho que ninguém lê, quem ainda lê alguma coisa hoje em dia?? todo dia crio regrinhas gramaticais fofas que invento na hora e ninguém nota...
Minhas palavras estão aqui jogadas como quem grita ao vento, do alto de uma pedra rochosa, de uma linda falésia , numa linda praia. 
Não são mais minhas, não me pertencem mais, são desse universo frenético, infinito, expansível e dessa matrix maluca, são das pessoas que não leem. são minhas também e me ajudam a me enfrentar, a me descobrir, por isso existem : escrevo falando comigo, como uma minerva libia que vai nascendo outra vez, desta vez, de dentro de seu próprio cérebro, rachando-o ao meio, mas não sem dor, mas não sem medo, o resultado pode ser o dom divino da sabedoria, quem sabe, ou não.

Gravura fantástica de John Bauer- The ring, um ilustrador sueco do séc XIX / XX, que tinha o poder de viver num mundo de realismo mágico e contos de fadas.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

desastrada

Hoje estou me sentindo mais desastrada do que o normal, vocês não tem a sensação de que derrubam tudo, de que tropeçam, que derramam o café das xícaras, molham os papéis, são um desastre ambulante? pois é!! eu tenho essa sensação, ela não é constante, mas sempre está à espreita, incômoda, inoportuna como alguém que não foi chamado e não quer ir embora.
Mas o pior, o pior, é quando essa sensação de destrambelhamento acontece no mundo interior, nos pensamentos,nos planejados, quando eu penso em fazer uma coisa e faço exatamente o contrário, ou pior , exatamente o que eu jurara solenemente pra mim mesma que eu não faria, e aí, distraidamente...ops!  pronto, está feito, e não pode ser consertado. assim, eu caio para a quarta divisão! atenção, distraídos e distraídas do mundo: -calculem!! e mais do que isso, executem!! sempre alerta, já ouvi isso em algum lugar, é um lema estressante, mas pode ser válido em algumas situações em que precisamos de vigilância, cautela, oração e paciência, muita paciência.

Imagem do ilustrador Cory Godbey, gryphon.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Dos que não dizem eu te amo

Se ainda é janeiro do ano da graça de 2014 e Janos é o deus que os antigos consagravam neste mês ainda posso olhar para trás um pouquinho e dizer que bom, que bom, que bom!! que 2013 vá e não volte. Nem este bendito blog teve a graça de me ajudar a respirar no meio das ondas gigantes do ano que passou - será que é por que voltei para perto do mar? eu que nasci numa ilha e o medo de maremoto é o primeiro grande de que me lembro- devo avisar que estou mais e mais a divagar, não precisam ler. aconselho,mesmo, a parar a leitura nesse instante porque mais e mais minha escrita nesse blog vai virar uma escrita de um diário para mim mesma,mas além de mim, para alguém que sou eu, que está aqui escrevendo para alguém que está aqui que precisa ler ou ouvir, ou só ver as imagens que escolho, mesmo parecendo aleatórias. insisto, não são imagens aleatórias, são para essa que precisa vê-las, tocá-las e sonhá-las, adormecê-las.então, aos que por algum motivo, quiserem ler o que escrevo agradeço, timidamente, sinto-me envaidecida, digo timidamente, porque sou tímida, os que me conhecem mesmo, sabem que sou! há mais de fantasia de mulher maravilha em nós do que queremos, do que sentimos, do que pensamos! e que esforço tremendo, pra quê mesmo?
Pior do que dizer eu te amo é não dizer, é amar,é não amar, é amar e não dizer, sentir,não querer sentir?

Senti tanta falta daqui que eu não sabia, só quando voltei, percebi, isso é típico de acontecer comigo, lembro das coisas quando sinto e já me chamaram de falsa e bicha má na minha cara por isso, mas é verdade!! tentando uma reconciliação com este singelo blog e quem sabe dando uma chance também para 2013, insisto com uma foto tirada pela bahamense Elena Kalis, porque esse é o ano da insistência!!